Trabalhadores comemoram a conquista da terra no baixo sul da Bahia


Após oito anos acampados às margens da BR 101, nas proximidades do centro de Wenceslau Guimarães, no baixo sul baiano, 45 famílias Sem Terra conquistaram o seu pedaço de chão. Onde antes estava localizada a Fazenda Oriental de um único proprietário, agora chama-se Assentamento Candelária. 

Em comemoração à essa conquista dos trabalhadores foi realizada nesta segunda-feira (29) uma grande assembleia de cunho político com todas as famílias do assentamento com o objetivo de reafirmar a continuidade da luta em defesa da Reforma Agrária.

Embalados pelas canções que marcam a história das famílias na luta pela terra, a mística trouxe o facão, produção, água, os barracos e os Sem Terrinha. Além disso, a história de luta das famílias foi contextualizada e a coletividade foi apontada como princípio político que garantiu a organização e a resistência. 

De acordo Lucinéia Durães, da direção estadual do MST, a conquista deste assentamento renova as energias e motiva os trabalhadores a permanecer lutando. 

“É necessário reafirmarmos o compromisso de continuar na luta. Temos outros passos para dá e nossa função social é organizar os trabalhadores e fazer ocupação”, enfatizou. 

Evanildo Costa, também da direção estadual, acredita que a Reforma Agrária é a base política que garante a construção de uma sociedade igualitária, mesmo diante do cenário econômico vivido pelos brasileiros. 

“É necessário pautarmos a luta pela terra e garantirmos a nossa soberania alimentar. Esta estrutura política do capital intervém inclusive nas questões administrativas dos municípios e em marcha conseguiremos mudar esta realidade”, afirmou Costa. 

Já Luiz Gugê, superintende do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), aponta a terra como um instrumento de desenvolvimento social, político e econômico para as famílias. 


Os trabalhadores já estão produzindo no assentamento de maneira agroecológica e garantindo a comercialização de alimentos saudáveis ao município de Wenceslau e região. 

Caminhando pela comunidade encontraremos banana, mandioca, uma diversidade de legumes, verduras, hortaliças e o cacau. Uma produção diversificada construída a partir do trabalho coletivo. 

Para a direção do Movimento, as lutas precisam continuar já que as famílias ainda moram em barracos de lona, não possuem água potável e não tiveram acesso a nenhum crédito que fortaleça a produção já existente.

O Deputado Federal Valmir Assunção (PT-BA), durante assembleia na comunidade, destacou o processo organizativo do MST e a unidade política como bases importantes para avançar significativamente.

“Nós fazemos parte de um processo nacional e lutamos para que a Reforma Agrária seja efetivada e isso depende do nosso nível de organização, pois estamos afrontando a propriedade privada e construindo a democratização da terra. São estes elementos que precisam dialogar com a sociedade e cobrar da gestão pública e do governo mudanças e avanços necessários”, disse. 

Valmir afirmou ainda que existem muitos desafios pela frente e é necessário permanecer na unidade para continuar conquistando mais latifúndios improdutivos.